Um fluxo operacional de back office define como uma demanda entra, quem assume, quais estados ela percorre, o que acontece quando depende de alguém, como o histórico é registrado e em que momento o trabalho é considerado concluído.

Ele não é apenas uma lista de tarefas.

É a lógica que permite a diferentes pessoas executarem o trabalho de forma consistente.

Comece pelo trabalho real

Antes de desenhar caixas em um fluxograma, observe o que acontece hoje.

Escolha uma rotina concreta:

  • emissão;
  • endosso;
  • documento pendente;
  • boleto;
  • comissão;
  • sinistro;
  • renovação.

Depois acompanhe uma demanda real do início ao fim.

Pergunte:

  • por onde ela entrou;
  • que informação chegou;
  • quem decidiu o que fazer;
  • para quem foi encaminhada;
  • onde ficou esperando;
  • como alguém percebeu que precisava agir novamente;
  • o que determinou o encerramento.

Esse mapa mostra o processo atual, inclusive seus atalhos e improvisos.

Etapa 1 — Defina a entrada

Toda demanda precisa começar em algum lugar.

Pode vir de:

  • comercial;
  • cliente;
  • seguradora;
  • sistema;
  • evento de carteira;
  • rotina programada.

O primeiro requisito é estabelecer o que precisa existir para a demanda ser aceita pela operação.

Exemplo: um pedido de endosso sem identificar a apólice e a alteração solicitada chega incompleto.

Nesse caso, o fluxo pode devolver para complementação antes de entrar em execução.

Etapa 2 — Faça a triagem

Triagem responde:

que tipo de demanda é essa e qual processo deve tratá-la?

Ela pode determinar:

  • categoria;
  • prioridade interna;
  • responsável;
  • necessidade de informação adicional;
  • fila correta.

Não transforme triagem em análise jurídica improvisada.

Se a demanda envolve competência de seguradora, especialista ou responsável superior, o fluxo precisa encaminhá-la corretamente.

Etapa 3 — Atribua responsabilidade

Demanda sem responsável é demanda órfã.

O responsável não precisa executar tudo.

Ele precisa garantir continuidade até:

  • conclusão;
  • transferência formal;
  • escalonamento.

Evite responsabilidade genérica como “financeiro”, “pós-venda” ou “todo mundo”.

A equipe pode ser a área.

A demanda precisa ter um dono operacional identificável.

Etapa 4 — Defina estados que tenham significado

Status precisam explicar a situação.

Um fluxo com apenas:

  • aberto;
  • em andamento;
  • fechado

pode ser insuficiente.

Em muitos processos vale distinguir:

  • recebido;
  • aguardando informação interna;
  • aguardando cliente;
  • aguardando seguradora;
  • em execução;
  • pronto para encerramento;
  • concluído.

Esses nomes são exemplos.

Use somente estados que mudem a decisão sobre o que fazer.

Etapa 5 — Registre a próxima ação

Status mostra onde está.

Próxima ação mostra o que acontecerá.

Exemplo:

Status: aguardando seguradora

Próxima ação: verificar retorno na data definida pelo processo

Sem próxima ação, demandas em espera podem permanecer paradas até alguém lembrar.

Etapa 6 — Trate dependências externas

Back office vive de dependências.

Cliente precisa enviar documento.

Seguradora precisa responder.

Prestador precisa executar.

Outra área precisa decidir.

O fluxo precisa separar:

  • quem é o responsável interno;
  • de quem a demanda depende externamente.

Assim, “aguardando cliente” não significa “sem responsável”.

Etapa 7 — Defina exceções

O caminho normal não resolve tudo.

Crie critérios de escalonamento para situações como:

  • dúvida sobre cobertura;
  • reclamação;
  • informação divergente;
  • cliente insatisfeito;
  • risco de perda de prazo;
  • demanda sem procedimento;
  • decisão comercial;
  • situação jurídica ou técnica sensível.

A regra deve responder:

quando a pessoa para de seguir o fluxo padrão e chama alguém com outra autoridade?

Etapa 8 — Registre histórico suficiente

Não é preciso documentar cada clique.

Registre eventos que mudam o entendimento:

  • informação recebida;
  • documento enviado;
  • decisão;
  • retorno;
  • transferência;
  • ajuste;
  • conclusão.

O histórico permite continuidade quando a demanda troca de pessoa.

Etapa 9 — Defina critério de encerramento

“Fiz minha parte” não é necessariamente conclusão.

Uma demanda só deve sair da fila quando o critério definido para aquele processo foi atingido.

Por exemplo, em uma pendência documental:

arquivo recebido pode não bastar se ele ainda precisa ser encaminhado.

Se ninguém consegue dizer quando uma demanda está concluída, o processo não tem um critério de saída.

Um modelo mínimo

ElementoPergunta
EntradaO que inicia o processo?
Dados mínimosO que precisa chegar junto?
TriagemQue tipo de demanda é?
ResponsávelQuem garante continuidade?
StatusOnde está?
Próxima açãoO que acontece agora?
DependênciaDe quem estamos aguardando?
EscalonamentoQuando sai do fluxo normal?
EncerramentoQue condição significa fim?

Onde entram prazos?

Separe três categorias:

  • prazo legal/regulatório;
  • prazo de seguradora, contrato ou terceiro;
  • prazo interno da corretora.

O prazo interno é uma ferramenta de gestão.

Ele não deve ser apresentado como obrigação universal do mercado.

E tecnologia?

Depois que o fluxo estiver claro, a tecnologia pode:

  • criar filas;
  • atribuir responsáveis;
  • gerar tarefas;
  • registrar histórico;
  • alertar próximas ações;
  • oferecer visão gerencial.

Automação vem depois.

O artigo sobre capacidade e produtividade no back office aprofundará esse critério.

Como saber se o fluxo está funcionando?

Acompanhe sua própria operação.

Exemplos:

  • volume que entra;
  • volume concluído;
  • backlog;
  • demandas envelhecidas;
  • retrabalho;
  • exceções;
  • itens sem responsável;
  • itens sem próxima ação.

O artigo sobre capacidade operacional aprofundará essas medidas sem inventar benchmark de mercado.

Como reduzir retrabalho no back office?

Retrabalho tende a diminuir quando a operação deixa claro o que precisa entrar, quem é responsável, qual informação está faltando, qual é a próxima ação e o que caracteriza conclusão.

Parte do retrabalho nasce quando uma demanda entra incompleta, muda de pessoa sem histórico, é considerada concluída antes do retorno final ou permanece parada sem responsável e sem próxima ação.

Antes de adicionar tecnologia ou pessoas, vale identificar onde o mesmo trabalho está sendo refeito e por quê.

Como reduzir o peso operacional da equipe?

Reduzir peso operacional não significa simplesmente retirar etapas. Existem alavancas diferentes:

  • eliminar atividades desnecessárias;
  • organizar melhor entrada, responsabilidade e encerramento;
  • automatizar tarefas previsíveis;
  • redistribuir trabalho;
  • transferir parte da execução para uma estrutura externa, quando houver aderência.

A escolha depende da causa do gargalo. Automação pode reduzir trabalho repetitivo. Terceirização pode adicionar capacidade de execução. Processo bem definido reduz perda de contexto e retrabalho.

Erros comuns

Desenhar o processo ideal sem observar o real

O fluxo fica bonito e não é usado.

Criar status demais

A equipe não entende as diferenças.

Não definir saída

Tudo permanece “em andamento”.

Automatizar exceções como se fossem regra

Casos sensíveis recebem tratamento inadequado.

Confundir terceirização com desenho de processo

Antes de delegar, é preciso saber o que será delegado.

Interno ou terceirizado?

O mesmo fluxo pode ser executado:

  • internamente;
  • de forma híbrida;
  • por apoio externo em algumas etapas.

Se o processo está claro e o problema é capacidade, vale avaliar uma estrutura de back office para corretoras de seguros.

Delegar não elimina governança.

O fluxo precisa mostrar onde termina a responsabilidade de cada participante.

Perguntas frequentes

Todo processo precisa de SLA?

Não necessariamente. Prazos internos fazem sentido quando ajudam gestão, mas não precisam existir artificialmente para cada etapa.

Quantos status devo criar?

Somente os necessários para representar decisões e esperas diferentes.

Fluxograma resolve o processo?

Não sozinho. O processo também precisa de dados, responsabilidade, próxima ação, regra de exceção e critério de encerramento.

Posso automatizar antes?

É possível, mas aumenta o risco de automatizar um desenho ruim. Definir o processo primeiro tende a tornar a automação mais segura.

Fontes consultadas

Conteúdos relacionados

O que é back office para corretoras de seguros?

Como organizar o pós-venda de uma corretora de seguros?

Para decidir onde automatizar o fluxo e onde manter supervisão humana, veja o que automatizar e o que manter humano no pós-venda de seguros.